Até onde vai a febre Pokémon Go?

  13 Julho 2016

A gente sabe que está ficando velho quando a moda retrô que hoje faz sucesso relembra algo que jamais entendemos por que fez tanto sucesso da primeira vez.

É o caso do Pokémon Go, o joguinho para celular que, em apenas uma semana, praticamente ultrapassou o uso do Twitter nos países onde está disponível e valorizou as ações da Nintendo em mais de 50%

Antes de continuar, revelações importantes. Sou da geração do Atari. Os games que faziam sucesso na minha infância eram coisas como Asteroids, Space Invaders e Pac Man. Quando surgiu a onda Pokémon, nos anos 1990, aquilo tudo já me parecia estranho. Pikachú, Charmander e companhia fascinaram na infância a geração que hoje tem uns 30 anos. Para mim, são desconhecidos.

É, portanto, com um misto de ignorância e curiosidade genuína que me aproximo do fenômeno. No jogo antigo, o usuário tinha de treinar os Pokémons para depois usá-los em batalhas. Agora, ele aponta o celular para algum local marcado no meio da rua, ou mesmo em casa, chamado PokéStop, e – do nada – o tal Pokémon aparece no visor. Depois de uma batalha, é posível capturar o bicho. É preciso agir rápido antes que ele escape.

A tecnologia que faz tudo funcionar é conhecida como “realidade aumentada”. Usa o localizador do celular e as imagens da câmara, transmitidas pelas internet para os servidores do jogo. Foi desenvolvida por uma empresa incubada no Google, a Niantic, e testada pela primeira vez três anos atrás. Na época, não fez sucesso. Mas a marca estava latente na memória de uma geração hoje dependente de seus smartphones. Agora, voltou a explodir.

A descoberta dos Pokémons pela cidade se tornou tema de discussões nas redes sociais, dando origem a uma tribo própria: os iniciados que sabem por que o jogo é tão viciante. O Pokémon Go, segundo dados da consultoria SimilarWeb, é usado em média por 43 minutos por dia, mas que outros apicativos, como WhatsApp (30 minutos), Instagram (25 minutos), Snapchat (22 minutos) e Facebook Messenger (13 minutos). Por enquanto, o jogo ainda não está disponível no Brasil, apenas na Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos. Hackers já deram um jeito de acessá-lo em outros lugares, mas empresas de segurança alertam para o risco de vírus nos celulares.

Depois de vender mais de 31 milhões de consoles do Pokémon em 1996, a Nintendo lançou várias novas gerações, sem jamais alcançar o mesmo sucesso. Soube, contudo, usar o poder da internet para conhecer seus fãs. A partir de 2006, os usuários começaram a se cadastrar e, com isso, a empresa pôde descobrir seu perfil, hábitos e interesses.

A principal descoberta foi que, enquanto a venda de game boys caía, a de smartphones explodia. O jogo estava na plataforma errada. Em 1.º de abril de 2014, a Nintendo fez uma brincadeira com o Google: usuários podiam procurar com a câmara de celulares os Pokémons indicados no Google Maps. O sucesso revelou o potencial para o novo aplicativo.

Como toda febre cujo sucesso vai além do previsto originalmente, parece que a coisa ainda não funciona muito bem. O software trava com frequência, os servidores têm caído várias vezes ao dia, e nem sempre o sinal da internet transmite os dados com velocidade que garante uma experiência fluida de jogo. Há também o risco de acidentes, por andar por aí com o olho grudado na tela do celular – algo que não é privilégio do Pokémon Go. Um americano até se mostrou apreensivo ao jogar no meio da rua, por temer ser parado pela polícia. No Missouri, ladrões de celular começaram a visar os locais marcados no jogo.

Nada disso impediu, é claro, que o Pokémon Go se espalhasse de modo viral. Nos Estados Unidos, mais de 60% daqueles que fizeram o download usam o aplicativo diariamente. Eles são algo como 3% da população americana, segundo a SimilarWeb. A dúvida é se a moda será douradoura – ou logo cairá no limbo, como o Pokémon original. Qualquer que seja o destino, o Pokémon continuará a integrar o panteão daquilo que se convencionou chamar de “cultura pop”. Quando historiadores futuros forem contar a história cultural dos nossos tempos, lá estará Pikachu. Assim como Space Invaders, Asteroids e Pac Man…

Fonte G1

Redação Capim Agora

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